sábado, 6 de dezembro de 2008

PREPARANDO O NATAL

Eloiza Marinho




Celebrar o natal...
Esse ano decidi celebrar o natal de um modo diferente.
Não chamarei o Papai Noel, todo vermelho, barbudo, “bondoso” e todo falso!
Nem quero aquela árvore grande, festiva,
cheia de brilhos dourados com uma neve completamente fora do meu contexto.

Esse ano quero um natal diferente!
Quero trazer o menino Jesus bem pra dentro de casa.
Quero acolhê-lo bem mais perto de mim.
Quero um natal diferente!

Não quero os presentes do amigo que,
de tão distante que esteve durante todo o ano,
tornou-se oculto,
mas hoje precisa cumprir um ritual:
dar um presente caro pra poder cobrar outro mais caro ainda.

Não quero me empanturrar da ceia abundante
que sobra nas nossas mesas,
enquanto falta em tantas outras.
Quero um natal diferente!

Um natal discreto, mas presente o ano todo.
Quero a presença marcante da mãe que, embalando o filho pequeno no colo,
dedica-se a educá-lo para a vida, para o hoje, para o amanhã.
Quero a acolhida amorosa dessa mãe sábia que dizendo sim,
mas também sabendo a hora do não,
vai tecendo a teia da vida, junto com cada um dos seus rebentos.



Quero um natal diferente!
Quero a presença do pai não-ausente
Que, com a mãe, acolhe os desafios de educar para a vida.


Esse ano quero viver um natal diferente!
Quero trocar os rits tradicionais natalinos,
Pela suave canção da vida que nem sempre é poesia,
Nem mesmo é suave...
Quero a canção da vida que fala de luta, de encontros e desencontros,
Dos medos e aventuras, de lágrimas e sorrisos,
Da arte de viver a vida em tantas dimensões.

Quero ouvir o som que sai da história de vida do irmão.
Das noites mal dormidas, das fadigas, preocupações,
Som suave de quem compartilha o ano todo com o irmão.

Quero dos anjos, a ternura,
Dos pastores, a simplicidade,
Dos reis magos, a sabedoria para interpretar,
inteligentemente, os sinais do cotidiano
e agir de modo mais crítico e comprometido.

Quero o direito de celebrar um natal
Humanamente sagrado!
Nascer com Jesus,
Acolher como Maria,
Cuidar como José.

Quero um natal diferente!
Quero celebrar...
...a Fraternidade vivida no dia-adia.
...a Justiça que deve se fazer presente entre os homens.
...a Paz em cada gesto.
...a Esperança que reanima a caminhada.
...o Amor como atitude concreta e não mais falácia.

Aí, sim! Esse será o meu natal
celebrado todos os dias!

Imgens: google.com


quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres
De 25/11 a 10/12/2008
É preciso dizer não a todas as formas de violência!

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER: quem a pratica?

Eloiza Marinho


Que absurdo pensar:
A “mão que embala o berço”,
que serve para educar o santo,
é a mesma mão que forma o tirano.
É a partir do colo das mulheres
que o homem vai se formando.

Nos joelhos de uma mulher,
João Paulo II e Hitler orientaram suas vidas.
Os seios de uma mulher
amamentaram Gandhi, como também
os generais das ditaduras.
O colo de uma mulher
embalou o poeta e também o assassino.

Ah, mulher!
Tens o poder quase divino
De formar gerações bem sucedidas ou não.

Mas cuidado!
Quando acorrentas o homem/menino
numa redoma protetora de cuidados extremos,
que não pode ser contrariado,
que não sabe ouvir não,
que precisa ser reverenciado como o “reizinho mandão”...
Te anulas!
Anulas o outro.
Tira do próprio homem a condição de ser humano.

Tanto quanto a falta, o excesso de amor é desastroso:
mata, atrofia, mutila a vida.

Crias um monstro
quando te tornas passiva;
quando te omites frente às atitudes reprováveis do teu filho, do companheiro, do irmão...
por medo de errar, de perder o que na verdade não tem.

Torna-te cúmplice,
quando preferes não ouvir,
não ver o que todos sabem, percebem:
escola, vizinhos, família, igreja,
às vezes até a lei.

Mulher, fizeste o monstro que reage com fúria
sobre quem e o que contraria seus desejos egoístas.
Sem noção de limites,
Sem poder ouvir não,
Acha que tudo pode, é o senhor absoluto, superior a todos,
merecedor, acima de tudo.
Acima do bem e do mal.

O outro?
Aí está um vocábulo que desconhece.
O outro?
Para ele não existe. A não ser que esteja a serviço dos seus interesses.

Um dia torna-te vítima
do agressor que tu mesma construiste, mulher,
nas pequenas atitudes, nos pequenos gestos,
nas palavras ditas ou não,
no silêncio que consente.

Olha pra ti, mulher!
Reconstrói tua história,
tua dignidade, tua identidade,
a liberdade de ser pessoa!
Toma posse, criticamente, dessa missão de educar,
de formar homens e mulheres novos.

Imagens: google.com