sábado, 6 de dezembro de 2008

PREPARANDO O NATAL

Eloiza Marinho




Celebrar o natal...
Esse ano decidi celebrar o natal de um modo diferente.
Não chamarei o Papai Noel, todo vermelho, barbudo, “bondoso” e todo falso!
Nem quero aquela árvore grande, festiva,
cheia de brilhos dourados com uma neve completamente fora do meu contexto.

Esse ano quero um natal diferente!
Quero trazer o menino Jesus bem pra dentro de casa.
Quero acolhê-lo bem mais perto de mim.
Quero um natal diferente!

Não quero os presentes do amigo que,
de tão distante que esteve durante todo o ano,
tornou-se oculto,
mas hoje precisa cumprir um ritual:
dar um presente caro pra poder cobrar outro mais caro ainda.

Não quero me empanturrar da ceia abundante
que sobra nas nossas mesas,
enquanto falta em tantas outras.
Quero um natal diferente!

Um natal discreto, mas presente o ano todo.
Quero a presença marcante da mãe que, embalando o filho pequeno no colo,
dedica-se a educá-lo para a vida, para o hoje, para o amanhã.
Quero a acolhida amorosa dessa mãe sábia que dizendo sim,
mas também sabendo a hora do não,
vai tecendo a teia da vida, junto com cada um dos seus rebentos.



Quero um natal diferente!
Quero a presença do pai não-ausente
Que, com a mãe, acolhe os desafios de educar para a vida.


Esse ano quero viver um natal diferente!
Quero trocar os rits tradicionais natalinos,
Pela suave canção da vida que nem sempre é poesia,
Nem mesmo é suave...
Quero a canção da vida que fala de luta, de encontros e desencontros,
Dos medos e aventuras, de lágrimas e sorrisos,
Da arte de viver a vida em tantas dimensões.

Quero ouvir o som que sai da história de vida do irmão.
Das noites mal dormidas, das fadigas, preocupações,
Som suave de quem compartilha o ano todo com o irmão.

Quero dos anjos, a ternura,
Dos pastores, a simplicidade,
Dos reis magos, a sabedoria para interpretar,
inteligentemente, os sinais do cotidiano
e agir de modo mais crítico e comprometido.

Quero o direito de celebrar um natal
Humanamente sagrado!
Nascer com Jesus,
Acolher como Maria,
Cuidar como José.

Quero um natal diferente!
Quero celebrar...
...a Fraternidade vivida no dia-adia.
...a Justiça que deve se fazer presente entre os homens.
...a Paz em cada gesto.
...a Esperança que reanima a caminhada.
...o Amor como atitude concreta e não mais falácia.

Aí, sim! Esse será o meu natal
celebrado todos os dias!

Imgens: google.com


quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres
De 25/11 a 10/12/2008
É preciso dizer não a todas as formas de violência!

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER: quem a pratica?

Eloiza Marinho


Que absurdo pensar:
A “mão que embala o berço”,
que serve para educar o santo,
é a mesma mão que forma o tirano.
É a partir do colo das mulheres
que o homem vai se formando.

Nos joelhos de uma mulher,
João Paulo II e Hitler orientaram suas vidas.
Os seios de uma mulher
amamentaram Gandhi, como também
os generais das ditaduras.
O colo de uma mulher
embalou o poeta e também o assassino.

Ah, mulher!
Tens o poder quase divino
De formar gerações bem sucedidas ou não.

Mas cuidado!
Quando acorrentas o homem/menino
numa redoma protetora de cuidados extremos,
que não pode ser contrariado,
que não sabe ouvir não,
que precisa ser reverenciado como o “reizinho mandão”...
Te anulas!
Anulas o outro.
Tira do próprio homem a condição de ser humano.

Tanto quanto a falta, o excesso de amor é desastroso:
mata, atrofia, mutila a vida.

Crias um monstro
quando te tornas passiva;
quando te omites frente às atitudes reprováveis do teu filho, do companheiro, do irmão...
por medo de errar, de perder o que na verdade não tem.

Torna-te cúmplice,
quando preferes não ouvir,
não ver o que todos sabem, percebem:
escola, vizinhos, família, igreja,
às vezes até a lei.

Mulher, fizeste o monstro que reage com fúria
sobre quem e o que contraria seus desejos egoístas.
Sem noção de limites,
Sem poder ouvir não,
Acha que tudo pode, é o senhor absoluto, superior a todos,
merecedor, acima de tudo.
Acima do bem e do mal.

O outro?
Aí está um vocábulo que desconhece.
O outro?
Para ele não existe. A não ser que esteja a serviço dos seus interesses.

Um dia torna-te vítima
do agressor que tu mesma construiste, mulher,
nas pequenas atitudes, nos pequenos gestos,
nas palavras ditas ou não,
no silêncio que consente.

Olha pra ti, mulher!
Reconstrói tua história,
tua dignidade, tua identidade,
a liberdade de ser pessoa!
Toma posse, criticamente, dessa missão de educar,
de formar homens e mulheres novos.

Imagens: google.com

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

GRAÇAS, PAI!

Eloiza Marinho Graças, Pai!
Pela vida que há em mim, fruto do teu amor.
Pela fé, aprendida na construção da minha história.
Pela esperança conquistada na luta cotidiana.

Graças, Pai!
Pela tua fidelidade, apesar das minhas fraquezas.
Pelo aconchego naquela hora mais apropriada!
Pelo teu amor desconcertante que me invade; eu, um ser tão limitado.

Graças, Pai!
Pela presença surpreendente, quando tudo parece solidão!
Pela luz que aponta o rumo certo, quando tudo parece trevas.
Pelo amor que vai me envolvendo e, silenciosamente cercando, convida a seguir-te.

Graças, Pai!
Pelo irmão que colocaste ao meu lado e que, com seu jeito de ser, me dá oportunidade de exercitar o amor fraterno.
Pelo desconhecido que, batendo à minha porta, ora precisa de ajuda, ora vem oferecer-me o bálsamo que alivia minhas dores!

Graças, Pai!
Por revelar-se gratuitamente!
Por revelar-me intensamente!

Graças, Pai!
Pelo zelo, pelo cuidado que há em mim.
Por me deixar encontrar-te.
E fazer-te meu melhor amigo.

Obrigada por conversar comigo!
Por ouvir os meus pedidos
E vir agradecer comigo.
Obrigada meu Pai!


Imagem:www.martinholutero.com.br/culto_acao_gracas.htm

FÉ: ABANDONO EM DEUS

Hoje, finalizando meu dia de trabalho, cheguei em casa, ao cair da tarde, pensando em como poderia compartilhar contigo uma experiência de abandono em Deus, quando se precisa passar por uma experiência incrivelmente forte, que abala as estruturas da gente!

O medo não é falta de fé! É apenas a humanidade que há em nós, manifestando-se! Portanto, não tenha receio de chorar quando as lágrimas, teimosas, brincam nos olhos aflitos e, desobedientes, transbordam, molhando a face como que purificando a dor que agora está ali na alma.

E Deus nos amou nessa humanidade limitada que somos! E Deus viveu a fragilidade do Humano em Jesus Cristo. Experimentou a solidão do calvário, abandonando-se no Amor que é o próprio Deus.

O medo paralisa, aprisiona! A fé, não! A fé impulsiona, joga-nos nos braços de Deus! Por isso não podemos nos permitir, na dor, viver apenas o medo. É preciso ir além!

Então, sedenta por encontrar uma mensagem na Internet que pudesse levar um pouco de força e alento para você nesse momento, deparei (não sei como) com videos de pessoas que se diziam atéias.

Comecei a olhar um, achei bobagem demais, interrompi. Porém chamou-me atenção outro, em particular: era uma entrevista com Dr. Drauzio Varela (aquele do Fantástico) a quem tenho uma grande admiração. Aliás, continuo achando-o um homem extraordinário, apesar do enfoque materialista que pode pautar sua vida. Antes de terminar o pequeno depoimento, enquanto pensava no trabalho que algumas pessoas estão tendo para tirar Deus da história, fui chamada na porta de minha casa. E pasme!

Um homem que eu nunca vira, com um sorriso no rosto, confirmou quem eu era e devolveu-me, na porta de casa, minha carteira com tudo o que havia nela: documentos, cartões, talão de cheques, essas coisas do dia-a-dia, além do meu pequeno Santo Antonio (que mora em minha carteira, junto com um cartãozinho de Nossa Senhora das Graças) e das orações que minha mãe faz questão que andemos com elas. Eu havia perdido essa carteira 24 horas atrás. Você chama isso de coincidência, acaso? Eu não! Não acredito nessas possibilidades!

Isso acaba de acontecer comigo! Não porque eu mereço, mas porque a Misericórdia de Deus é infinita!

Ontem aprendi a rezar o Terço da Divina Providência. "Mãe da Divina Providência, Providenciai! Deus provê, Deus proverá, sua misericórdia não faltará!" Essa foi minha oração ao meio dia de hoje! Como também acredto no poder das mães de amenizarem as dores dos filhos, recomendei, particularmente a Maria, a mãe de Jesus, que intercedesse ao Filho e me ajudasse nessa aflição!

Conto-te essas coisas, pois creio na Providência Divina! Nada acontece por acaso! Você passará pela estrada que terás que percorrer, mas não o farás sozinho/a! Enquanto preparas teu corpo (mente e espirito) para enfretares os desafios que só tu sabes quais são, Deus providenciará tudo o que precisares! Confie! E seja feita a Sua vontade!

Mergulhe no amor misericordioso de Deus e faça de cada experiência de sua vida um encontro de fé com Aquele que sabemos, ama com amor verdadeiro.

Eu não acredito em acaso nem em coincidência.
Eu creio na Divina Providência!

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

HUMANAMENTE EU!

Eloiza Marinho
Sou humana,
Mas, às vezes, sinto-me um ser quase angelical na vida das pessoas.
Esqueço que sou limitada e frágil como todo mundo.

Sou humana,
Mas, às vezes, penso como se fosse uma “supermulher”,
Que tudo posso resolver.

Sou humana,
Mas, às vezes, faço-me forte demais,
Só para conseguir enfrentar as contrariedades e exigências, desafios da vida.

Sou humana,
Mas, às vezes, quero ser pelo outro,
Fazer pelo outro,
Pensar pelo outro.

Que audácia!
Onipotente, onipresente...
Uma semideusa?!

A realidade é implacável!
Ela me traz de volta para o que de fato sou: Mulher-humana,
Aprendiz da humanidade em Cristo!

Choro e sorrio,
Odeio e amo,
Brigo e perdôo (me perdôo),
Falo e ouço.
Erro, procurando acertar,
Como todo mundo.

Hoje, estou cansada demais!
Humanamente sem palavras!
Humanamente, eu!
Desnudada do que sou,
Fraca, arrogante, pequena...
Desnudada do que penso que sou!
Desnudada do que pensam que sou!


Humanamente, eu!
Sem máscaras,
Sem títulos,
Sem “saltos”!
Simplesmente, eu,
Aprendendo, com o outro, a ser.

Humanamente, Eu!
Com qualidades e defeitos,
Com virtudes e pecados,
Nem divina nem profana!
Apenas eu,
Compartilhando a beleza de ser humana!
Desafiando-me, cada dia, a ser um “Eu melhorado”!
Imagens da internet: google

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

AINDA É TEMPO DE CUIDAR DA VIDA

Eloiza Marinho

Você é contra ou a favor do aborto?

Mas nós todos os dias abortamos...
Quando tiramos da criança o direito de ter uma escola que ensine e que ela aprenda.
Quando, por nossas atitudes, desanimamos os jovens, roubando-lhes a esperança, os sonhos.
Quando mantemos o adulto acorrentado aos grilhões do analfabetismo, do subemprego, do desemprego.

Todos os dias abortamos...
Quando nos omitimos diante das crianças que vivem nas ruas e praças das nossas cidades.
Quando calamos adolescentes e jovens, cerceando suas falas, seu modo de expressar idéias, pensamentos, a vida.
Quando colocamos nos ombros dos nossos idosos responsabilidades que já não mais deveriam ser suas.
Quando, aprisionados pela violência dos nossos dias, fechamos os olhos para os excluídos que nos interpelam.

Abortamos a cada dia...
...crianças, adolescentes e jovens, tornando-os alvos principais de toda forma de exploração: consumista, sexual, trabalho, drogas (lícitas ou não)... colocando-os em situação de risco social ou alienados da vida.
Quando não assumimos, responsavelmente, nosso papel social na realidade onde estamos inseridos.
Quando optamos por atitudes pouco éticas em nosso cotidiano, justificando os meios pelos fins.
Quando calamos frente às pequenas (e grandes) injustiças que começam ao nosso redor.

Todos os dias abortamos...
...o futuro, quando não nos comprometemos em cuidar do presente, esquecemos o passado e a historicidade que compõe a nossa identidade.
...a fé, quando nos esquecemos de viver uma espiritualidade que, nos (re)ligando ao Eterno, nos leva ao irmão e à sua realidade.
...a esperança, quando perdemos os sonhos, as utopias que movem a vida e nos impulsionam a um desejo ardente de transformação pessoal e coletiva.
...o amor, quando não nos permitimos perdoar nem expressar gestos de ternura e afeto.

Então, você é contra ou a favor do aborto?
O modo como vivemos, nossas práticas cotidianas,
Revelam, inevitavelmente, a opção que fazemos.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

VEM, MENINO!

Eloiza Marinho

Lá vem o menino!
Cabeça baixa,
Ombros caídos!

Lá vem o menino!
Franzino!
Escorre pelo rosto
uma lágrima sentida.

Lá vem...
Lá vem o menino!
Num sussurro, a voz quase rouca.
Tem medo:
do mundo, dos homens,
de mim!

Lá vem o menino! Vem!
Perde-se entre os livros.
E, das brincadeiras, nasce canção!
E o menino esquece toda sua aflição!

Olha as estórias
contadas nos livros.
Lê as aventuras
que guarda consigo!

As horas passam!
O tempo voa!
Agora é outro menino!

Lá vai o menino!
Cabeça erguida!
Sorriso no rosto!
Vida abastecida
de nova esperança!

Lá vai o menino,
Esquecido do mundo,
Repleto de sonhos!
Reconstrói sua vida,
Recontando histórias,
Criando aventuras!

Lá vai o menino...
Aprendendo a ser homem.

Imagem: tracosetrocos.wordpress.com/.../mais-um-menino/

ESSE JEITO DIFERENTE DE AMAR

Eloiza Marinho

Que Amor é esse?!
Surpreendente! Exigente! Exclusivo! Fiel!
Amor-entrega!
Amor-doação!
Amor-Total!?

Que Amor é esse
Que te faz inteiro Dele?
Mas que te abre para o outro,
Sem reservas, todo entrega!
Sem medidas, por igual!

Que Amor é esse?!
Que, te fazendo mais homem,
Faz-te mais humano,
Mas te torna também anjo
Que passa comunicando um novo jeito de amar?

Quase sinto tuas dores!
Desejo conhecer os teus limites,
Saber as tuas cruzes
E contigo caminhar.
E, em cada superação,
Quisera eu contigo estar.

Então, me faz também aprendiz desse teu Amor?!
Amor diferente!
Amor conseqüente
Que me torna um com o outro,
Torna-me um novo eu!

Faz-me conhecer esse Amor!
Faz-me viver esse Amor!
Sem culpas, nem medos.
Integrando o belo e o feio,
A vida e a morte,
O sonho e a realidade...
Esse mundo de contrastes
Precisa de nova cor.

Amor que nasce Nele,
Amor que vem por Ele,
Não precisa ter receios,
Só precisa cultivar.

Não quero ser empecilho!
Não quero te transformar!
Mas, juntos, quem sabe um dia poder cuidar...
Da vida que há em ti,
Da vida que pulsa em mim,
Do mundo, jardim sagrado,
Lugar que o Bem-Amado,
Escolheu como sacrário
E em nós veio morar.

Quisera caminhar contigo
Sendo, também eu, solo sagrado,
Marcada pelo amor de Deus,
Ser expressão do eterno,
Desse Amor que há em ti


Amor gratuito... companheiro!
Sagrado e humano, quem sabe?
Que quanto mais se dá, mais recebe.
Que quanto mais se doa,
Mais fortalece.

Afinal, o Amor quando é amado,
Reflete felicidade.
Comunica, transforma, inquieta
E gera cumplicidade.

Amor cristão compromete,
Convive, comunga, desperta!
Não isola, mas integra.
Tem seu espaço,
Tenho meu espaço,
Temos nosso espaço...
Tornando-nos um com Ele!

Assim, vou me fazendo,
Aprendiz do Amor Cristão.
Aproximo-me mais de Cristo
Quanto mais me torno humana,
Vivendo ao lado do irmão.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O MELHOR DE MIM

Eloiza Marinho Aonde está o melhor de mim?

Nos cursos que fiz e ainda faço?
No conhecimento acumulado?
Em tantos livros surrados?
Nas coisas que tenho conquistado?
Nas mil e uma noites mal dormidas?
Na luta contínua pelo que faço?
No emprego, trabalho que abraço?

Aonde está o melhor de mim?

Encontrei-me no sorriso sincero da criança pequena
que espera algo novo de mim.
No abraço apertado do “adolescente-problema”
que procura alento para a vida em movimento.
Nas lágrimas da mãe angustiada que pede socorro,
No passo apressado de quem chegou atrasado,
No olhar confiante de cada estudante
que se aproxima de mim.

Aonde está o melhor de mim?

Em cada pessoa, cidadão-estudante,
Que, passando na escola,
“deixou muito de si e levou tanto de mim!”



( Homenagem aos professores em 15/10/2008)

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Qualidade: vida na 3ª idade?

Eloiza Marinho












Quando criança, todos diziam:
“Ai, que amorzinho!”

Já adolescente:
“Puxa! Como é esperto!”

Enquanto jovem:
“Nossa! Como cresceu. É tão inteligente!”

Depois, adulto:
“Seu nome é trabalho, sobrenome eficiência!”

Agora que é velho,
já quase nem se lembra o último elogio que ouviu
ou mesmo um pequeno gesto de admiração que alguém lhe fez.
Ficara invisível!

Os filhos, a família, o rejeitam:
“Vai pro quartinho dos fundos.”

Os netos ignoram:
“Pô! Eles ainda estão aqui?”

Trabalho já não encontra,
mas despesa, sim. E muitas!

A sociedade o contabiliza como prejuízo, défict.
E então, o encostam.
Torna-se sinônimo de “encosto”, incômodo, peso morto,
doença, tristeza, abandono...
Só a pequena aposentadoria é que serve...
para algum “esperto” da família.

Esquecidos da família.
Esquecidos da sociedade.
Esquecidos da vida.
São nossos idosos!
Ainda pleiteando vagas nos subempregos
para manter famílias: filhos, netos...

Excluídos da vida, da sociedade, das suas famílias,
Só querem sobreviver,
Terminar de viver!
E o que nós oferecemos?


Imagem: http://www.correioregionalnews.com.br/fotos/idoso(1).jpg

sábado, 20 de setembro de 2008

E SE EU NÃO FOSSE PROFESSORA?

Eloiza Marinho


Às vezes, pego-me a pensar:
“E se eu não fosse professora...
o que teria a ganhar?”

Possivelmente não teria visto aquele sorriso brejeiro
da criança aprendendo as primeiras letrinhas
e criando mil estórias, contadas e recontadas
com aquele jeitinho faceiro.

Talvez não receberia o recado amoroso
cheio de corações e beijinhos,
daquelas crianças pequenas,
que já sabem muito bem expressar suas emoções.

Não ouviria as contestações,
alternadas pelo humor irreverente,
próprios da fase adolescente.

Perderia do jovem, em seu vigor,
a sede do amanhã,
o desejo de realizar projetos
para um futuro melhor.

Não veria, satisfeita,
o adulto que vem feliz me contar
que já sabe escrever seu nome
e ler a placa do ônibus que precisa “pegar”.

Não encontraria no mundo do trabalho,
Recepcionista, advogado, frentista,
Comerciante, comerciário, doutor,
Dona de casa, bancário, agricultor,
Jornalista, desempregado,
Político ou professor...
Profissional que não tenha em si
O reflexo de um professor/a.

E, então, começo a perceber:
“E se eu não fosse mesmo professora...
O que mais poderia eu ser?”

Se eu não fosse professora...?
Ah! Voltaria correndo à sala de aula
E escolheria muito bem:
Que tal um curso que me fizesse ser
uma melhor educadora?


Imagem: bolordepao.blogspot.com/2008/03/professor-e-j...

É PRECISO NÃO PERDER...

Eloiza Marinho

Que não percamos a capacidade de sonhar com um mundo melhor, mais justo e fraterno
e, sonhando, busquemos exercer nossa profissão com dignidade, competência e ética.

Que não percamos a capacidade de indignação com as incoerências do mundo e da sociedade em que estamos inseridos
e, indignados, decidamos ser a diferença em nossa prática cotidiana.

Que não percamos o otimismo, apesar das dificuldades que o mercado nos apresenta
e que, sendo otimistas, saibamos enfrentar os desafios que a vida nos oferece.

Que jamais percamos a esperança no ser humano
e, tendo esperança, possamos cuidar do humano na natureza.

Que não percamos a alegria de viver, própria da juventude
e, sendo jovens, possamos comunicar a alegria da vida em nossas atitudes.

Que não percamos a garra, mesmo sabendo que a vida não é feita só de vitórias
e, sendo determinados, conquistemos nosso espaço pela competência e profissionalismo.

Que não percamos a humildade que faz com que saibamos “ser eternamente aprendizes”
e, sendo humildes, saibamos aprender a sabedoria dos simples
que valoriza o ser muito mais que o ter.

Que não percamos a capacidade de compreender as prioridades do nosso tempo
e, sendo seres históricos, saibamos respeitar o passado, vivendo o presente e projetando um futuro melhor para todos os seres vivos da mãe Terra.

Enfim, que não percamos a ousadia de crer na vida
e, crendo, não esqueçamos que “a vida é concebida nos sonhos e consolidada no amor!”


Imagem: nadaalem.blogger.com.br/2006_01_01_archive.html

QUANDO A DECEPÇÃO VENCEU A ESPERANÇA



Eloiza Marinho



Todo ano de eleição é a mesma coisa. Somos bombardeados por uma “chuva meteórica de políticos” (ou seriam politiqueiros?) que surgem de todos os lados. Quem são eles?

Alguns passaram os anos sem fazer a-b-s-o-l-u-t-a-m-e-n-t-e nada em prol da população. Foram anônimos no exercício da própria cidadania e agora decidem que “é hora de fazer carreira na política”.
A gente nem sabia ou nem lembrava que tais figuras circulavam pelo meio político.

Outros definem sua “ação política” pelos acalorados discursos, preferencialmente de acusação ao seu principal opositor. Resume-se na demagogia, sua “carreira política”.

Papel também comum é o daquele que, eleito, nunca comparece aonde deveria estar; seu voto nas grandes (e pequenas) questões de interesse popular é sempre nulo, branco, ausente. Ausente nas necessidades do povo, é omisso por opção, por decisão, por caráter.

Há também aquele que é conduzido por “forças ocultas”. Não é propriamente o fantasma, mas está a seu serviço. Não vou incorrer no impropério de chamá-lo de pai-de-santo, pois respeito à diversidade religiosa, resultante desse nosso Brasil tão plural. Assim, lembro os mamulengos, as marionetes conduzidas por mãos profissionais, afinadas ao exercício de conduzir as peças teatrais de bonecos, cuja platéia manifesta-se a cada tempo de eleições... e só. Interessante é que os mamulengos quase acreditam que têm vida própria, repetindo as orientações dos condutores, assumindo suas lutas, seus interesses, seus desafetos, como se fossem próprios.

Não poderia deixar de falar do já citado “fantasma”. Um dos mais conhecidos entre nós. Não trabalha, não constrói, não se envolve. Não discute porque também nunca está presente. Classificado como “sujeito” na Língua Portuguesa, obviamente seria o “Inexistente” ou, na melhor das hipóteses, “Oculto”. Apesar do seu total descompromisso, a Nação, o Estado ou o Município continuam. Agora, justiça seja feita, na hora de receber seus gordos honorários com os adicionais que a mordomia estatal lhe concede, o sujeito torna-se bastante existente, vivo e esperto/expert.

Bom mesmo é aquele que jura que está fazendo a chamada “articulação política”. Pode parecer nome novo para os menos desavisados, mas serve para classificar as velhas negociatas, prática própria dessa trupe que diz fazer política. É também o cargo do “bobo da corte”, fofoqueiro de plantão, o leva-e-traz que ganha para isso mesmo. E dinheiro público, é claro, o que é pior. Sua função é garantir a chamada “governabilidade”. Em nome da qual “vão-se os anéis... e os dedos também”.

E desse meio, tão desprezível para muitos de nós, reles cidadãos pagantes de impostos, sempre surge aquele que há de ser diferente. Fala bonito, tem um passado limpo, de preferência um trabalhador como o povo, cheio de idéias, ideologizado, convicto dos ideais democráticos, libertários, de justiça social e coisa e tal. “O diacho é que quando chega lá fica tudo igual os outros”, dizem os menos crédulos, os mais pessimistas, diríamos. O discurso de mudança é o que leva o povo cansado e, principalmente, os jovens, a novamente empolgar-se e acreditar que “dessa vez será diferente. Com esse, o futuro vai ser melhor. Chegou a nossa hora.”

O marketing brinca com o sofrimento do povo, faz arruaça com a emoção popular. Usa, abusa da confiança do povo humilde, da força que possui de nunca desistir; lutar, lutar sempre, acreditando que dias melhores virão. “Esperar contra toda esperança”. Daí decidem seus votos.

Mas os marqueteiros não estão sozinhos. Eles constroem o personagem que os “grupos político-econômicos” nacionais e até internacionais têm interesse em “vender” para o povo. E o político interesseiro cala, consente. Quer tornar-se celebridade, quer levar sua parte da “articulação política”, quer manter-se no centro da trupe, crescer... crescer... crescer... e aparecer.

Certamente nunca leram textos como “O analfabeto político” de Bertolt Brecht e, muito provavelmente, nas faculdades e escolas que, por ventura, tenham freqüentado na vida, jamais falaram de ética pessoal, na profissão... ou de política como “arte de cuidar de um povo” ou de “governar, de gerir os destinos da cidade com retidão”. Refletir, filosofar sobre essas e outras concepções, eu sei, já é querer demais. A política que conhecem bem e praticam é a política de gerir interesses pessoais e de seu grupo. É de cunho ideológico como justificação do poder, consolidando as diferenças, perpetuando a crença de que “manda quem pode...” É o poder da esperteza. Poder este, legitimado por nós, cidadãos, nas urnas, em cada eleição.

Ficamos, portanto, a mercê da esperança em cada novo pleito. Quem sabe, algo acontecerá dessa vez... Quem sabe, alguma coisa se transforme na consciência e na postura daqueles que pensam que já sabem tudo de política. Quem sabe, seus sucessores aproximem-se mais do que realmente é essencial nesta: o ser humano, o cidadão, o cuidado com o povo, a participação coletiva e ética nas decisões da vida social. Entretanto, é preciso mais que esperança... É preciso coragem para arriscar, pois nosso voto tornou-se uma questão de risco. “Nada se conhece e todos se transformam”, em se tratando dessa política.

Então, escolher com base em quais critérios?
Corrente ideológica? Partidos e partidários mudam de idéia e de ideal conforme a “direção do vento”, em cada período eleitoral!!
História política? Xiii!!! Tem cada uma que daria uma bela novela das 7:00 ou até justificaria uma “Linha Direta Especial”.
Serviços prestados!? Em prol de quem, cara pálida?!
Propostas coerentes, viáveis, consistentes... Sem nenhuma garantia de continuidade do que já existe e funciona, nem que a “articulação para a governabilidade” permita que sejam implementadas depois.
A lista vai longe e as justificativas também. Desse jeito, o que esperar?
Não esperamos que os senhores “políticos-cadidatos” façam coisas extraordinárias, inimagináveis, mas que garantam o necessário, o justo, o correto para os cidadãos, para a sociedade, de forma ética, transparente, compartilhada. Que façam Política! E aí o poder autêntico do povo, legitimará o poder do cidadão eleito.

NÃO SOMOS IGUAIS E ISSO FAZ UMA “BOA DIFERENÇA”


Eloiza Marinho

No princípio era ela, a Terra, “inerte e vazia” ... carecia de cuidado...
... E “o Espírito de Deus pairava sobre as águas”...

O criador cuidou logo de povoar a Terra, de torná-la fecunda e abundante.
Preparou-a, cuidadosamente, e entregou para que, homem e mulher, pudessem continuar o que ali começara.
Então...
O homem descobriu-se forte, a mulher fez-se frágil.
O homem fez-se senhor, a mulher tornou-se comandada.
Os povos aprenderam o sabor da dominação, da opressão, das guerras e destruição.
Experimentaram o vazio do ódio, dos preconceitos, segregação...
Geraram fome, miséria, um mundo em exclusão.
E da terra fizeram o caos!
Mas com o tempo, “elas” foram aprendendo o valor da resistência, da luta e da contradição.
E foram tecendo idéias, construindo novas opiniões.
Do paradigma masculino,
Novo paradigma se faz.
Nem supremacia feminina, tampouco a masculina.
Um caminho construído a dois, pode até ser ideal.
Um mundo mais fraterno, de cooperação e de cuidado,
Solidários e companheiros,
Nas lutas pela justiça, pela liberdade e verdade.
Homens e mulheres, crianças, jovens e idosos,
Uma só raça, um só povo, uma mesma nação.
Apesar das diferenças, de cor, gênero, religião,
Hoje, precisa que venha nascendo,
Um mundo cada vez mais justo, de irmãos.
Tornou-se o grande desafio,
De cada mulher cidadã,
Educadora, por natureza,
Por escolha ou profissão,
Cuidar desse mundo novo, com consciência e determinação.
Fazendo com que as diferenças, não se tornem desunião,
Mas transformem-se em complemento dessa grande revolução:
Sendo você quem é
E eu quem sou,
Vamos juntos fazer da Terra um ambiente acolhedor.

TEM GENTE DEMAIS, FAZENDO DE MENOS

Eloiza Marinho

O menino não aprende... Falta família.
O jovem não aprendeu... Faltou interesse.
O adulto não corresponde... Falta base.

E assim,
O professor segue seu plano.
A Escola segue seu projeto.
A Secretaria segue suas “Diretrizes”
A família... Bom, a família continua sem saber o que fazer.

E o tempo passa...


O menino torna-se jovem
Que se torna adulto e, às vezes, “vira” professor.
Outro menino, outro jovem, outro adulto
Vão se formando.
E aquele menino, agora professor,
Compreende que é fato o aluno não aprender,
Pois ele também não sabe como fazer!
É dinheiro apertado,
Turno dobrado,
É estudo no sábado...
Férias e feriado?! Essa não!

Mas é preciso algo fazer! – Diz de si pra si.
Resolve, então, procurar uma solução.
E logo vem outro menino-professor
E mais outro... e outro...
Já não está mais sozinho.
Vê que, em grupo, é possível construir um caminho novo.
Que precisa garra, determinação, consciência,
E, sobretudo, muito amor pelo que decidiu fazer:
Ser aprendiz para que outros aprendam.

E o menino e sua família?
O jovem e seus interesses?
O adulto e sua escola?
Talvez você saiba responder
Como poderá terminar essa história.
Isso só vai depender
Da caminhada que você pretende fazer...



AVALIAÇÃO: PROCESSO DE RECONSTRUÇÃO DE SABERES






Eloiza Marinho






1. Introdução

Pesadelo para uns, demonstração de poder, dominação para outros, é assim a avaliação vivenciada no cotidiano de diversas escolas brasileiras. Em geral, usada como instrumento classificatório, é empregada apenas para aprovar ou reprovar o indivíduo, fatalmente rotulando as pessoas de sábias ou néscias, segregando as “incapazes”.

A avaliação, desse modo, tem sido tratada, equivocadamente, de forma restrita pela escola e pelos educadores. Visa apenas o produto, o resultado, de preferência final, de um processo educativo, confirmado numa nota como que sentenciando o destino escolar do indivíduo e, conseqüentemente, refletindo em sua vida para além da instituição.
Assim, tem-se feito educação. De um lado ficam os alunos, objetos do “fazer pedagógico”, dos objetivos previamente determinados por alguém que, supostamente, já sabe do que precisam, do outro lado está a escola com essa grande responsabilidade de tentar fazer com que o “ensinado” seja aprendido.

A educação abordada, então, de modo tão fragmentado, traduz uma concepção limitada, pouco integrada em suas diversas dimensões. Educação, ensino, aprendizagem, metodologia, conteúdos, objetivos, competências, habilidades e, portanto, avaliação, são elementos considerados, muitas vezes, totalmente isolados dentro do todo, sendo-lhes atribuído fim em si mesmos.
Se os elementos necessários a uma aprendizagem significativa são tratados de modo tão desvinculado, não mais articulados estão os protagonistas dessa escola em construção. Professor, aluno, gestor, técnico, família, cada um ocupa papel delimitado pelo chamado sistema ou pela própria escola que, reclamando das distâncias, não consegue estabelecer nenhuma ação de forma a garantir sua integração.

A realidade é que nem entre os professores há uma prática dialógica consistente e constante, a ponto de se elaborar projetos ou ações que alcancem êxito nas principais demandas relacionadas pelos mesmos. Estudar coletivamente, refletir sobre cada componente que faz a aprendizagem, suas dificuldades e experiências positivas, elaborar suas concepções acerca de cada temática aprofundada, é imperativo para que se vá clareando e fortalecendo as idéias, de modo que se construa uma prática pedagógica, cujas intervenções sejam menos amadoras, mais conscientes e coerentes.

A avaliação, nesse contexto, é até feita para diagnosticar realidades. No entanto, o que se percebe é que o resultado encerra em si, o professor não consegue propor ações de modo a intervir naquele resultado seja satisfatório ou não. Há somente uma constatação do erro e do acerto, uma quantificação do produto, seguida do registro nos diários, boletins ou fichas para posterior divulgação ao aluno ou seu responsável.

“Dar” nota por quê? Para quê? O aluno assim sente: “ganhou nota x, na disciplina y...” O professor, no auge do seu poder, sendo benevolente “dá” uma nota boa, sendo exigente “dá uma bomba”. O aluno não se percebe alguém capaz de conquistar a nota por competência pessoal, nem imagina que pode participar do processo avaliativo como parte de sua formação, da aprendizagem. Essa é a nossa experiência real.

Desse modo, para muitos professores, senão para a maioria, avaliar tem sido um misto de obrigação, de ineficiência, injustiça, enfim há uma sensível dificuldade em vivenciar esse processo de forma tranqüila, coerente com o que se acredita fazer como educador. Parece que tudo termina com a avaliação, vista em geral como realização de provas, testes, atividades, que levam ao final das contas a atribuição de notas ou conceitos, à “sentença” de aprovado ou reprovado (retido, para alguns). Diversificam os termos, permanecem as posturas, pautadas por concepções arraigadas de avaliação como “instrumento sancionador e qualificador” (Zabala. A prática educativa. p. 195).

Para se refletir sobre avaliação, para que se apresente uma proposta coerente, para trabalharmos um modelo mais justo de avaliação, é preciso um repensar da própria prática educativa. O que, como e quando avaliar, considerando a aprendizagem como objeto do processo educativo e aluno como seu sujeito? Quais devem ser os papéis do aluno, professores, demais educadores, a escola, numa perspectiva avaliadora, dentro de uma concepção progressista de educação?

Considerando a metodologia da reconstrução do conhecimento, onde a aprendizagem é prioridade do processo educativo, a avaliação é, necessariamente, considerada como parte de um amplo processo de formação. Não é só diagnóstico, nem resultado final, mas possui várias dimensões, as quais tentaremos apresentar a seguir.

2. Avaliamos por que e para quê?

O compromisso principal da escola com a sociedade em que ela está inserida e, conseqüentemente, com aqueles que a procuram, é com a aprendizagem. Então, democratizar a escola, mais do que oferecer vagas de modo que todos possam ingressar na educação formal, é proporcionar as condições que garantam o direito de todos aprenderem. A avaliação, nesse contexto, só tem sentido se estiver a serviço da aprendizagem real, significativa, portanto atendendo a sua dimensão pedagógica que segundo Pedro Demo,

não pode ser feita de modo abrupto, agressivo, humilhante, mas no contexto
da pedagogia igualitária, para a qual professor se define como quem cuida da
aprendizagem do aluno; isto não resulta em esquivar-se da critica ou
questionamento do aluno; ao contrário, não se aprende sem errar, duvidar,
questionar, do que segue que o aluno precisa também escutar críticas, mas sempre de estilo pedagógico (DEMO. 2004 p.67).

Assim sendo, avaliar contém em si a condição de pluridimensionalidade, no sentido que, ao mesmo tempo em que o sujeito é avaliado também avalia e vice-versa. Mas também, porque todos os partícipes do processo de aprendizagem precisam desenvolver a competência de exercer o ato avaliativo, considerando os diversos elementos que interagem para que de fato aconteça aprendizagem: ambiente escolar, proposta pedagógica, metodologia, modo como se avalia, concepções adotadas para fundamentar a prática educativa, posturas do professor e aluno frente ao desafio de aprender, enfim elementos definidos no Projeto Político Pedagógico das escolas que deveriam ser construídos coletivamente, de modo que todos tivessem acesso ao mesmo e no Projeto Pedagógico Pessoal, onde cada educador deveria apresentar suas reflexões e propostas de trabalho.

Além disso, é importante também considerar aspectos como conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais, procurando assim olhar o aluno numa perspectiva globalizante, como sujeito cognitivo, mas também, social, ético, político, afetivo, humano. Sendo assim, o aluno não pode ser tratado como mero espectador, já que se trata de um processo onde o foco é ele e sua aprendizagem.

Então, se a razão de ser da avaliação é cuidar que o aluno aprenda, é também questionável o sentido da reprovação. Avalia-se para tratar do aprender, portanto avalia-se para promover. Não do modo irresponsável dos que cuidam apenas de maquiar dados estatísticos, de sair dos baixos índices de uma avaliação nacional, mas no sentido de promoção do ser humano, desenvolvendo neste a condição de cidadão participante, capaz de construir pensamento próprio, intervir na sua realidade pessoal e coletiva.

Promoção aqui significa, necessariamente, compromisso com a aprendizagem, com uma educação de qualidade; cuidado para que os alunos progridam, tendo condições de acesso aos bens culturais construídos historicamente pela humanidade, mas sobretudo que tenham garantido o direito de conquistar novos espaços, transformar a própria história e ajudar na construção da história coletiva, “fazendo porque sabe e sabendo porque faz”, portanto conscientes da importância do seu papel na construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

Portanto, pensar em avaliação, obrigatoriamente nos remete a uma reflexão mais ampla sobre as concepções que norteiam a prática pedagógica do educador, as ações que este desenvolve no cotidiano, as relações que se estabelecem no ambiente escolar e sobre as decisões que deverão ser tomadas a partir do que foi avaliado. Tudo isso motivado pelo compromisso de “cuidar que o aluno aprenda”.

3. Avaliar para medir ou para reconstruir?

Como parte de um amplo processo que é a aprendizagem, a avaliação perpassa todos os níveis de construção desta. Não se aprende por osmose, mas é preciso consciência. Saber o que vai bem ou não, as dificuldades que o aluno encontra para realizar determinadas ações, tarefas ou atividades, ou ainda, saber os caminhos que foram usados para que ele alcançasse certos resultados, são informações importantes para o desenvolvimento da aprendizagem. E é nessa perspectiva que se precisa olhar para a avaliação.

Avaliar envolve conhecimentos cognitivos, posturas, atitudes, ações dos sujeitos que estão diretamente envolvidos com a aprendizagem. Envolve planejamento, trabalho docente e discente, por isso é tão complexo.

Então, definir uma linha teórico-metodológica a ser seguida, tanto quanto as concepções que devem permear a ação profissional do educador, são condições fundamentais para uma prática coerente, consistente, com qualidade técnica e política. Portanto, sendo parte de um amplo processo como é a educação, a avaliação não deve se constituir uma ação unilateral, já que envolve diversos sujeitos e situações. Tampouco pode reduzir-se a verificação final de um período de estudo.

Então, como tratar a avaliação?

Sendo vista numa perspectiva diagnóstica, é compreendida como investigação, pesquisa de diferentes dados de uma determinada realidade. É tratada como olhar acolhedor sobre um contexto de aprendizagem, portanto precisa ser constante, permanente. Deve ser pautada em critérios claros e conhecidos, tanto pelo avaliador quanto por aquele que é avaliado, de modo que se possa acompanhar o desenvolvimento e propor intervenções viáveis para garantir uma aprendizagem significativa.

Sendo diagnóstica, pressupõe-se que a avaliação leve a uma tomada de decisão, pois não basta olhar para a realidade, constatar avanços e/ou dificuldades de aprendizagem do aluno, inadequação de metodologia por parte do professor, entre outros elementos que possam ser identificados ao avaliar, se isto não gerar uma reação no professor enquanto mediador do conhecimento, cuja função precípua é, segundo Demo, “cuidar para que o aluno aprenda”; no aluno, protagonista do processo educativo; na escola, ambiente responsável por produzir conhecimento, promover aprendizagem.

Quanto à perspectiva emancipatória, propõe-se que o ato de avaliar suprima a função castradora de tantos séculos que fez da avaliação mais um instrumento de poder, de coerção, de dominação, mas que assuma a condição de colaboradora na formação do cidadão autônomo, construtor de historia própria, consciente do seu papel no cotidiano coletivo, sujeito participante na sociedade em que está inserido.

Nesse sentido, destaca-se também o caráter dialógico que deve pautar uma postura democrática de educação. Ser avaliado e avaliar, propor intervenções mais adequadas frente às dificuldades apresentadas, ter acesso aos instrumentos avaliativos com seus respectivos objetivos e critérios, espaço garantido para discutir sobre notas (quando houver) e que sempre venham com um parecer, de modo que se acompanhe a evolução da aprendizagem pessoal e que se tenha a oportunidade de, questionando – nota e/ou parecer – se assim achar necessário, possa reelaborar a partir das orientações recebidas, são posturas necessárias a quem se propõe educar na perspectiva da reconstrução do conhecimento.

A avaliação, então, deve provocar o olhar atento e amoroso do educador para uma reorientação da sua prática pedagógica, alicerçada em concepções claras de educação, escola, aluno, professor, aprendizagem, homem/mulher, sociedade, que se quer ajudar a construir. Daí a importância de que esse profissional mantenha-se em permanente formação, de modo que sua ação como educador tenha a marca da profissionalidade, no que concerne ao conjunto de competências técnica, política, alicerçada em princípios e valores éticos que tornam sua prática intencional, menos amadora, mais comprometida, consciente e crítica.

4. Como avaliamos?

Freqüentemente nos deparamos com concepções reducionistas de avaliação, sendo esta confundida com alguns instrumentos normalmente utilizados para avaliar. Daí vem a “semana de avaliação”, quando são feitas provas e/ou testes que, quando muito, servem para verificar se o aluno memorizou certos conteúdos trabalhados ao longo de um período ou bimestre letivo.

Outros educadores, desejosos de superar as limitações das provas e testes que avaliam momentaneamente e apenas alguns aspectos da aprendizagem, adotam alguns critérios, os quais denominam aspectos qualitativos, referindo-se a atitudes como participação, assiduidade, “comportamento”, pontualidade, interesse, entre outras.

Tanto os chamados aspectos quantitativos, representados pelos instrumentos escritos (provas, testes, textos, trabalhos em grupo e individuais) quanto os qualitativos que correspondem às posturas, valores, disciplina, são mensurados, atribuídas notas e calculadas as médias correspondentes a um determinado período do ano escolar.

O aluno, nesses casos, é tratado de forma passiva. Recebe a nota que informa se foi aprovado ou não, se tem que “fazer a recuperação ou não”. Esta, então, é vista como uma oportunidade oferecida pela escola ou pelo professor para que o aluno tenha chance de alcançar a nota mínima aprovativa. O enfoque é dado sobre a nota, no instrumento utilizado para avaliar, não no processo construído até aquele momento.

Numa concepção de aprendizagem em que a pesquisa e elaboração estão inseridas como metodologia pautada na reconstrução do conhecimento, avaliar constitui-se parte do processo educativo. O foco aqui está sobre o aluno e sua aprendizagem. Assim, a avaliação possibilita analisar o processo, a realidade, o contexto em que se insere a aprendizagem, o caminho construído pelo aluno, mediado pelo professor a partir de fundamentação teórico-metodológica, para que se proponha intervenções adequadas para a reconstrução permanente do conhecimento.

A grande questão, portanto, não está, inicialmente, sobre quais instrumentos são mais adequados para avaliar responsavelmente, mas no cuidado com a elaboração e com os resultados alcançados com cada instrumento. É importante clareza sobre as concepções que norteiam cada ação pedagógica, a intencionalidade técnica e política do educador, o que leva o profissional a optar por uma determinada corrente e não por outra para fundamentar seu fazer, enfim, buscar a coerência entre reflexão e ação.

É de acordo com as convicções que se opta por uma prática avaliativa que leve ao exercício do saber pensar e da argumentação com fundamento, que contribui para a formação do cidadão participativo ou do sujeito passivo, que leve, enfim, à aprendizagem compreendida como capacidade de elaboração própria, de transformar informações em conhecimento e de fazer uso deste em diferentes circunstâncias da vida.

Avalia-se a rotina escolar a partir de objetivos e critérios claros, com o olhar de quem cuida, de quem tem compromisso de garantir o direito de todo cidadão aprender.

5. Conclusão

Compreendida como parte do processo educativo, a avaliação deve ser permanente. Sua razão de ser é “cuidar da aprendizagem”. Só faz sentido avaliar na perspectiva de reorientação da ação educativa, do fazer pedagógico, cujo enfoque principal deve ser o aluno e seu processo de aprendizagem.

Avaliamos para garantir que o aluno aprenda, para promover o sujeito na condição de cidadão autônomo que constrói e reconstrói pensamento próprio, capaz de intervir na história pessoal tanto quanto na coletiva. Portanto, pensar avaliação é refletir sobre educação, escola, aprendizagem, professor e aluno, sociedade, mundo; é ter clareza das concepções que permeiam a prática pedagógica assumida pelo educador; é diagnosticar uma realidade para poder intervir significativamente nela; é promover o diálogo crítico-argumentativo, de modo que avaliar não seja uma ação unilateral, mas que, superando a sua utilização como instrumento de poder e coerção, gere uma postura emancipatória nos protagonista de uma educação, cujo desafio se dá no enfoque da aprendizagem reconstrutiva política. Enfim, que avaliar seja um contínuo olhar amoroso que leve a ações que garantam para todos o direito de aprender.


Referências

DEMO, Pedro. Ser professor é cuidar que o aluno aprenda. 2 ed. Porto Alegre: Mediação, 2004.

HOFFMAN, Jussara. Avaliação Mediadora.

LIBÂNEO, José Carlos. Organização e Gestão da Escola: Teoria e Prática. Goiânia: Alternativa. 2001.

LUCKESI., Cipriano. Avaliação da aprendizagem escolar.

PERRENOUD, Philippe. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens – entre duas lógicas. Porto Alegre: Artes Médicas Sul. 1999.

ZABALA, Antoni. A pratica educativa: como ensinar. Porto Alegre: ArtMed. 1998.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

BRASIL, QUAL É TEU DESTINO?

Eloiza Marinho


Brasil de tantos encantos
De múltiplas caras
De diversos olhares
Que tantas “línguas” fala
Desde o nordeste até o sul
Brasil multicor.

Qual é teu destino, Brasil?

Brasil de “oportunidades”?!
É claro! Dependendo de “quem”, “pra quem”...
Brasil das desigualdades
Que gera distâncias
Que contamina os sonhos
Que não deixa crescer.

Como pensar teu destino, Brasil?

Brasil de tantos analfabetos
Que não sabem ler os livros
Que não conseguem ler a vida
Que ficam sós, no sonho da faculdade
Sem conseguir cursar.
Brasil dos desempregados
Dos subempregados
Da maioria “parda”
Que também quer pensar.

Como fazer teu destino,Brasil?


Se teus filhos “que não fogem à luta”
Parecem derrotados
Sem a menor atenção?
É escola parada,
Professor “atropelado”,
Governo todo “enrolado”
E o estudante...
Completamente abandonado.
É assim que se cuida do cidadão,
O futuro da nossa nação?
Lembra que teu destino, Brasil
É o que construímos agora
com compromisso e determinação
.

domingo, 8 de junho de 2008

DESPEDIDAS E RECOMEÇOS

Eloiza Marinho



Em cena, um ancião e um menino. Platéia lotada. Todas as atenções voltadas para aquele instante mágico. É o auge da apresentação.

O diálogo entre aqueles dois personagens parece indicar o último ato. Ou seria o começo?

_ Puxa, como andei nesses últimos tempos! – comentou o ancião, olhando o caminho que ficara para trás dos seus pés cansados.
_ É, mas ainda falta tanto... – retrucou o menino, olhando ansioso para a estrada que se abria a sua frente.
_ Muita coisa eu pude ver durante essa jornada – disse o ancião com ar pensativo – Homens brigando...
_ Mas também havia aqueles que evitavam, dialogando – retrucou o menino.
_ Pessoas doentes...
_ E aquelas que as cuidavam.

_ Jovens drogados...
_ Como também jovens que conseguiram retornar aos estudos, entrar na faculdade ou começar o primeiro emprego.
_ Tantos desempregados: pais, mães...
_ Mas pessoas solidárias também, dividindo um pouco do que têm para amenizar a dor do outro.
_ E as guerras, a fome, a violência ...

_Homens, mulheres, crianças, povos de todos os cantos do mundo se uniram num eco poderoso de desejo de PAZ, JUSTIÇA, FRATERNIDADE, AMOR.
_ Talvez eu fique por aqui, menino. – disse o ancião sentando-se à beira do caminho – É tarde e o sol já se esconde. Logo chegará a escuridão.

_ Não, o sol está apenas preparando um novo alvorecer, mais radiante e belo do que antes. – Estendendo sua mão pequena de menino, continuou – Venha comigo, senhor. Juntos podemos ir mais além.

A vida não é um palco, mas você pode estar “encenando atos” ou sendo apenas uma “platéia”, às vezes atenta, outras nem tanto.

O que temos é somente o agora. O antes é alicerce para que, no agora, se construa o depois. Como será o amanhã? Como queremos o novo ano? Comecemos a construí-lo já.

Afinal, qual é o meu estilo?!

Eloiza Marinho
Nessa desafiante arte de nos aventurarmos pelo mundo da escrita, nos descobrimos preocupados com coisas que até então passavam-nos completamente desapercebidas, não nos causavam a menor curiosidade.
De repente, começamos a perceber “detalhes” na escrita de um, de outro, que fazem com que afirmemos com um tom quase de vitória: “Aposto que aquele texto só pode ser de fulano!” “Esse aqui tem a cara de sicrano!” E nesse exercício permanente de construção e reconstrução, vejam só o que acontece no ARCO.
A sensibilidade romântica de Ariane deixa o texto quase poético. Já o rigor ético e politizado de Raquel faz com que coloquemos o pé no chão e a cabeça no ideal, resgatando princípios, questionando posturas, assumindo atitudes, provocando comprometimento sério.
O cuidado técnico, gramatical, transforma o escrever de Lucivania uma verdadeira aula de lingüística, obra de arte para os gramáticos. Um pouco mais lenta, porém tanto quanto detalhista, Helena a acompanha nesse primor estilístico.
Silenciosa, mas não menos rebuscada que Raquel, está a Gardênia com sua eterna preocupação ecológica e solidária; é o verdadeiro exercício do saber pensar e da ética do cuidado, gestados na vivência do conflito humano e das relações interpessoais. E vem acompanhada de Arlete que, de mansinho, já mostrou a que veio: profundidade, argumentação, filosofia, mistura que torna sua elaboração completamente publicável.

Deise, no meio de tantas atribuições atribuladas, encontra tempo - entre uma fralda e outra da Dandara - para deixar seu senso politicamente correto de gestora, orientar sua alma de escritora. É parceira de Raquel na “abordagem política da temática”.

Fazendo coro com Deise nas fraldas e cantigas de ninar, Aparecida - entre uma coisa e outra - demonstra o empenho, a persistência e o resultado podem até ser tímidos, mas contundentes textos.


Graça, com seu espírito de técnico, empolga-se em verdadeiros tratados. Recorre a uma infinidade de autores e do que poderia virar “uma salada intelectual”, com esforço e determinação de artesã, vai humildemente tecendo, esculpindo, transformando, até dar formas a sua obra.

Paulo e seu ar de “eterna adolescência”, aparentemente dispersivo, brincalhão, engana os incautos. Por trás dessa aparência de poeta-cantor, encontra-se o homem das palavras bem argumentadas e fundamentadas.

O Manoel procura demonstrar sua preocupação com a cidadania planetária. Poderia se dizer, uma nova ordem ecológica em que o humano se envolve com a vida em todas as dimensões, compreendendo-se como parte constitutiva da natureza? É uma síntese de eco-politico. Se é que se pode dizer algo assim! Se não, ele já é quase o rei da prolixidade (só perdendo pra mim) e o imperador da linguagem rebuscada para adequar idéias não muito coesas.

Merecido destaque, Nilda - a preocupação em pessoa - dedicada ao compromisso da escrita pessoal e da aprendizagem dos alunos. Talvez seja quem melhor represente aquele Assessor que tem procurado registrar o real, o possível, o necessário para experimentar concretamente a Pesquisa e Elaboração nas salas de aula.

Na verdade, nem sei se cada um é mesmo desse jeito que tentei descrever. Só sei que, quanto a mim, disseram que devo ser impessoal na escrita. Que escrever é coisa séria; deve ser algo publicável. É bom que eu use uma linguagem mais formal, que aborde aspectos tais e ”pa... ta... ti... pa... ta... ta...” No entanto, estou mesmo é gostando de brincar de escrever; brincar com as palavras, conversar com as idéias que, às vezes, fervilham em minha mente.

Então, uno-me a Nilda, companheira de luta, de expectativas, de exercício de elaboração. Que tal você também ler o que escrevo e tentar responder-me, afinal: Qual é o meu estilo?

Eu e as crônicas ou de quando me achei nas crônicas

Eloiza Marinho
_ Me ensina a escrever uma crônica? – pedi, assim, sem mais nem menos.
_ O quê?!
_ Eu quero aprender a escrever crônicas – repeti, decidida a prosseguir no meu intento.
_ Primeiro, não se diz “me ensina”, mas “ensina-me”. Depois... De onde você tirou essa
idéia? – retrucou Janete, estranhando tal solicitação.
_ Gosto de ler crônicas: da sua criatividade, da inteligência com que os autores lidam com os
temas, do bom humor que elas contêm...
_ Só isso? – disse-me desconfiada. – Pensei que tivesse “coisa mais séria” para se fazer nesse
Programa de formação continuada de professores, o ARCO.
_ Por isso mesmo... O ARCO me faz ter essas idéias (ou “faz-me” ter esses desejos?)... Quero
aprender como se faz para escrever as crônicas – insisti.
_ Não sei não... É algum tipo de brincadeira?
_ Claro que não! Estou pensando seriamente: Por que não exercitar a escrita de crônicas?
Tenho lido Rubem Braga, Sabino, Drummond, Paulo Mendes Campos... Gosto ainda do Cony, Arnaldo Jabor, entre outros que tenho acesso.
_ Bem, se é o que diz... Já pensaste em algum tema? Sobre o que gostarias de falar?
_ Não sei exatamente... Sobre a escrita? A leitura? As dificuldades de ser um escritor? Quem
sabe... “O escritor que existe adormecido em cada um de nós!”
_ Acho bom leres algo mais sobre isso. – disse-me entregando um papel que tirara da pasta que
carregava consigo.
_ ...“Da descrição, a crônica tem a sensibilidade impressionista; da narração, a imaginação
(para o humor ou a tensão); e da dissertação, o teor crítico...” Puxa! Eu só queria mesmo era aproveitar de modo inteligente meu senso de humor!!!!!

segunda-feira, 2 de junho de 2008

FADA LUZ
















Eloiza Marinho


Era uma vez...
Num Reino distante...
Havia uma fada que não sabia que o era. Ela havia sido "esquecida" num Palácio Encantado.
Sua missão era "cuidar" das pessoas. Se alguém tinha sede, ela dava de beber; se outro tinha fome, ela o alimentava... E ainda limpava todos os cantos do palácio.
Assim, perdera seu nome. Era chamada apenas..."Dona".



Mas Fada Luz era feliz! Sob seus cuidados estavam quatro fadinhas, seus “anjos de guarda”.
Fada Luz se encantava com o que via: mestres ensinando, pessoas aprendendo, livros... Sempre que tinha um tempinho, lá estava a Fada nas janelas apreciando os ensinamentos com suas fadinhas. E, quanto mais ouvia os mestres, lia os livros, o Palácio parecia ficar menor, apertado...
O palácio estava pequeno ou Fada Luz estaria crescendo?

Um belo dia, Fada Luz resolveu sair dos muros do Palácio Encantado com suas fadinhas.
Alguns diziam:
_ Você ficou louca, Dona?
_ "Formiga quando quer se perder cria asas!!"
Fada Luz sorriu e, nesse momento, percebeu que dois "brotinhos de asas" começavam a surgir de suas costas.


Então, Fada Luz deu mais um passo em direção a saída, outro passo seguiu-se... e mais um para fora do Reino. E o que viu...
_ Horizontes!!! Vamos conhecer os horizontes? – perguntou a Fadinha caçula.
_ Horizontes?! Não existem Horizontes – sorriu a Fadinha mais velha com suas irmãzinhas.
A Fadinha ficou vermelha, enquanto Fada Luz, com doçura, acariciou-lhe os cabelos de fada
_ Como assim, meu bem? Horizontes?
_ Horizontes, ora! Esses que estão por aí... –Tentou explicar a Fadinha Lê, amiga da caçula.


Levantando a vista, Fada Luz observou ao seu redor: várias tonalidades pintavam o céu.

............................

O tempo havia passado ... Agora Fada Luz compreendera que existem sim vários horizontes. Mas é preciso aprender a olhar. Fora por isso que, naquele dia, ela saíra dos muros do Reino.
Dando as mãos às suas Fadinhas, Fada Luz voou em busca de novos horizontes.

Menino, teus sonhos...

Eloiza Marinho



Menino "sem sonho",
Menino sem meta,
Teu jeito de ser
Me preocupa e inquieta.

O que pensas da vida?
O que sentes e espera?
Menino "sem sonho",
Tua vida me alerta!

Escola, pra ti, é coisa penosa:
Horários tão rígidos!
Tarefas e livros!
Cobranças e notas!

Menino "sem sonho",
Já tens um ideal:
Não queres o pesado,
No fardo da cerâmica,
Viver explorado!

Façamos um trato, menino!
Encontra teus sonhos!
Ficando na escola,
te mostro que um dia...
Já tens uma meta.
Já teces teus sonhos,
Já constróis teu futuro.
No banco da escola,
No meio dos livros,
Redescobres a vida
Reescreves o futuro.
(Esse texto nasceu de um diálogo com um adolescente de 15 anos, estudante da rede pública Estadual)