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sábado, 20 de setembro de 2008

QUANDO A DECEPÇÃO VENCEU A ESPERANÇA



Eloiza Marinho



Todo ano de eleição é a mesma coisa. Somos bombardeados por uma “chuva meteórica de políticos” (ou seriam politiqueiros?) que surgem de todos os lados. Quem são eles?

Alguns passaram os anos sem fazer a-b-s-o-l-u-t-a-m-e-n-t-e nada em prol da população. Foram anônimos no exercício da própria cidadania e agora decidem que “é hora de fazer carreira na política”.
A gente nem sabia ou nem lembrava que tais figuras circulavam pelo meio político.

Outros definem sua “ação política” pelos acalorados discursos, preferencialmente de acusação ao seu principal opositor. Resume-se na demagogia, sua “carreira política”.

Papel também comum é o daquele que, eleito, nunca comparece aonde deveria estar; seu voto nas grandes (e pequenas) questões de interesse popular é sempre nulo, branco, ausente. Ausente nas necessidades do povo, é omisso por opção, por decisão, por caráter.

Há também aquele que é conduzido por “forças ocultas”. Não é propriamente o fantasma, mas está a seu serviço. Não vou incorrer no impropério de chamá-lo de pai-de-santo, pois respeito à diversidade religiosa, resultante desse nosso Brasil tão plural. Assim, lembro os mamulengos, as marionetes conduzidas por mãos profissionais, afinadas ao exercício de conduzir as peças teatrais de bonecos, cuja platéia manifesta-se a cada tempo de eleições... e só. Interessante é que os mamulengos quase acreditam que têm vida própria, repetindo as orientações dos condutores, assumindo suas lutas, seus interesses, seus desafetos, como se fossem próprios.

Não poderia deixar de falar do já citado “fantasma”. Um dos mais conhecidos entre nós. Não trabalha, não constrói, não se envolve. Não discute porque também nunca está presente. Classificado como “sujeito” na Língua Portuguesa, obviamente seria o “Inexistente” ou, na melhor das hipóteses, “Oculto”. Apesar do seu total descompromisso, a Nação, o Estado ou o Município continuam. Agora, justiça seja feita, na hora de receber seus gordos honorários com os adicionais que a mordomia estatal lhe concede, o sujeito torna-se bastante existente, vivo e esperto/expert.

Bom mesmo é aquele que jura que está fazendo a chamada “articulação política”. Pode parecer nome novo para os menos desavisados, mas serve para classificar as velhas negociatas, prática própria dessa trupe que diz fazer política. É também o cargo do “bobo da corte”, fofoqueiro de plantão, o leva-e-traz que ganha para isso mesmo. E dinheiro público, é claro, o que é pior. Sua função é garantir a chamada “governabilidade”. Em nome da qual “vão-se os anéis... e os dedos também”.

E desse meio, tão desprezível para muitos de nós, reles cidadãos pagantes de impostos, sempre surge aquele que há de ser diferente. Fala bonito, tem um passado limpo, de preferência um trabalhador como o povo, cheio de idéias, ideologizado, convicto dos ideais democráticos, libertários, de justiça social e coisa e tal. “O diacho é que quando chega lá fica tudo igual os outros”, dizem os menos crédulos, os mais pessimistas, diríamos. O discurso de mudança é o que leva o povo cansado e, principalmente, os jovens, a novamente empolgar-se e acreditar que “dessa vez será diferente. Com esse, o futuro vai ser melhor. Chegou a nossa hora.”

O marketing brinca com o sofrimento do povo, faz arruaça com a emoção popular. Usa, abusa da confiança do povo humilde, da força que possui de nunca desistir; lutar, lutar sempre, acreditando que dias melhores virão. “Esperar contra toda esperança”. Daí decidem seus votos.

Mas os marqueteiros não estão sozinhos. Eles constroem o personagem que os “grupos político-econômicos” nacionais e até internacionais têm interesse em “vender” para o povo. E o político interesseiro cala, consente. Quer tornar-se celebridade, quer levar sua parte da “articulação política”, quer manter-se no centro da trupe, crescer... crescer... crescer... e aparecer.

Certamente nunca leram textos como “O analfabeto político” de Bertolt Brecht e, muito provavelmente, nas faculdades e escolas que, por ventura, tenham freqüentado na vida, jamais falaram de ética pessoal, na profissão... ou de política como “arte de cuidar de um povo” ou de “governar, de gerir os destinos da cidade com retidão”. Refletir, filosofar sobre essas e outras concepções, eu sei, já é querer demais. A política que conhecem bem e praticam é a política de gerir interesses pessoais e de seu grupo. É de cunho ideológico como justificação do poder, consolidando as diferenças, perpetuando a crença de que “manda quem pode...” É o poder da esperteza. Poder este, legitimado por nós, cidadãos, nas urnas, em cada eleição.

Ficamos, portanto, a mercê da esperança em cada novo pleito. Quem sabe, algo acontecerá dessa vez... Quem sabe, alguma coisa se transforme na consciência e na postura daqueles que pensam que já sabem tudo de política. Quem sabe, seus sucessores aproximem-se mais do que realmente é essencial nesta: o ser humano, o cidadão, o cuidado com o povo, a participação coletiva e ética nas decisões da vida social. Entretanto, é preciso mais que esperança... É preciso coragem para arriscar, pois nosso voto tornou-se uma questão de risco. “Nada se conhece e todos se transformam”, em se tratando dessa política.

Então, escolher com base em quais critérios?
Corrente ideológica? Partidos e partidários mudam de idéia e de ideal conforme a “direção do vento”, em cada período eleitoral!!
História política? Xiii!!! Tem cada uma que daria uma bela novela das 7:00 ou até justificaria uma “Linha Direta Especial”.
Serviços prestados!? Em prol de quem, cara pálida?!
Propostas coerentes, viáveis, consistentes... Sem nenhuma garantia de continuidade do que já existe e funciona, nem que a “articulação para a governabilidade” permita que sejam implementadas depois.
A lista vai longe e as justificativas também. Desse jeito, o que esperar?
Não esperamos que os senhores “políticos-cadidatos” façam coisas extraordinárias, inimagináveis, mas que garantam o necessário, o justo, o correto para os cidadãos, para a sociedade, de forma ética, transparente, compartilhada. Que façam Política! E aí o poder autêntico do povo, legitimará o poder do cidadão eleito.

domingo, 8 de junho de 2008

Afinal, qual é o meu estilo?!

Eloiza Marinho
Nessa desafiante arte de nos aventurarmos pelo mundo da escrita, nos descobrimos preocupados com coisas que até então passavam-nos completamente desapercebidas, não nos causavam a menor curiosidade.
De repente, começamos a perceber “detalhes” na escrita de um, de outro, que fazem com que afirmemos com um tom quase de vitória: “Aposto que aquele texto só pode ser de fulano!” “Esse aqui tem a cara de sicrano!” E nesse exercício permanente de construção e reconstrução, vejam só o que acontece no ARCO.
A sensibilidade romântica de Ariane deixa o texto quase poético. Já o rigor ético e politizado de Raquel faz com que coloquemos o pé no chão e a cabeça no ideal, resgatando princípios, questionando posturas, assumindo atitudes, provocando comprometimento sério.
O cuidado técnico, gramatical, transforma o escrever de Lucivania uma verdadeira aula de lingüística, obra de arte para os gramáticos. Um pouco mais lenta, porém tanto quanto detalhista, Helena a acompanha nesse primor estilístico.
Silenciosa, mas não menos rebuscada que Raquel, está a Gardênia com sua eterna preocupação ecológica e solidária; é o verdadeiro exercício do saber pensar e da ética do cuidado, gestados na vivência do conflito humano e das relações interpessoais. E vem acompanhada de Arlete que, de mansinho, já mostrou a que veio: profundidade, argumentação, filosofia, mistura que torna sua elaboração completamente publicável.

Deise, no meio de tantas atribuições atribuladas, encontra tempo - entre uma fralda e outra da Dandara - para deixar seu senso politicamente correto de gestora, orientar sua alma de escritora. É parceira de Raquel na “abordagem política da temática”.

Fazendo coro com Deise nas fraldas e cantigas de ninar, Aparecida - entre uma coisa e outra - demonstra o empenho, a persistência e o resultado podem até ser tímidos, mas contundentes textos.


Graça, com seu espírito de técnico, empolga-se em verdadeiros tratados. Recorre a uma infinidade de autores e do que poderia virar “uma salada intelectual”, com esforço e determinação de artesã, vai humildemente tecendo, esculpindo, transformando, até dar formas a sua obra.

Paulo e seu ar de “eterna adolescência”, aparentemente dispersivo, brincalhão, engana os incautos. Por trás dessa aparência de poeta-cantor, encontra-se o homem das palavras bem argumentadas e fundamentadas.

O Manoel procura demonstrar sua preocupação com a cidadania planetária. Poderia se dizer, uma nova ordem ecológica em que o humano se envolve com a vida em todas as dimensões, compreendendo-se como parte constitutiva da natureza? É uma síntese de eco-politico. Se é que se pode dizer algo assim! Se não, ele já é quase o rei da prolixidade (só perdendo pra mim) e o imperador da linguagem rebuscada para adequar idéias não muito coesas.

Merecido destaque, Nilda - a preocupação em pessoa - dedicada ao compromisso da escrita pessoal e da aprendizagem dos alunos. Talvez seja quem melhor represente aquele Assessor que tem procurado registrar o real, o possível, o necessário para experimentar concretamente a Pesquisa e Elaboração nas salas de aula.

Na verdade, nem sei se cada um é mesmo desse jeito que tentei descrever. Só sei que, quanto a mim, disseram que devo ser impessoal na escrita. Que escrever é coisa séria; deve ser algo publicável. É bom que eu use uma linguagem mais formal, que aborde aspectos tais e ”pa... ta... ti... pa... ta... ta...” No entanto, estou mesmo é gostando de brincar de escrever; brincar com as palavras, conversar com as idéias que, às vezes, fervilham em minha mente.

Então, uno-me a Nilda, companheira de luta, de expectativas, de exercício de elaboração. Que tal você também ler o que escrevo e tentar responder-me, afinal: Qual é o meu estilo?

Eu e as crônicas ou de quando me achei nas crônicas

Eloiza Marinho
_ Me ensina a escrever uma crônica? – pedi, assim, sem mais nem menos.
_ O quê?!
_ Eu quero aprender a escrever crônicas – repeti, decidida a prosseguir no meu intento.
_ Primeiro, não se diz “me ensina”, mas “ensina-me”. Depois... De onde você tirou essa
idéia? – retrucou Janete, estranhando tal solicitação.
_ Gosto de ler crônicas: da sua criatividade, da inteligência com que os autores lidam com os
temas, do bom humor que elas contêm...
_ Só isso? – disse-me desconfiada. – Pensei que tivesse “coisa mais séria” para se fazer nesse
Programa de formação continuada de professores, o ARCO.
_ Por isso mesmo... O ARCO me faz ter essas idéias (ou “faz-me” ter esses desejos?)... Quero
aprender como se faz para escrever as crônicas – insisti.
_ Não sei não... É algum tipo de brincadeira?
_ Claro que não! Estou pensando seriamente: Por que não exercitar a escrita de crônicas?
Tenho lido Rubem Braga, Sabino, Drummond, Paulo Mendes Campos... Gosto ainda do Cony, Arnaldo Jabor, entre outros que tenho acesso.
_ Bem, se é o que diz... Já pensaste em algum tema? Sobre o que gostarias de falar?
_ Não sei exatamente... Sobre a escrita? A leitura? As dificuldades de ser um escritor? Quem
sabe... “O escritor que existe adormecido em cada um de nós!”
_ Acho bom leres algo mais sobre isso. – disse-me entregando um papel que tirara da pasta que
carregava consigo.
_ ...“Da descrição, a crônica tem a sensibilidade impressionista; da narração, a imaginação
(para o humor ou a tensão); e da dissertação, o teor crítico...” Puxa! Eu só queria mesmo era aproveitar de modo inteligente meu senso de humor!!!!!