segunda-feira, 2 de junho de 2008

FADA LUZ
















Eloiza Marinho


Era uma vez...
Num Reino distante...
Havia uma fada que não sabia que o era. Ela havia sido "esquecida" num Palácio Encantado.
Sua missão era "cuidar" das pessoas. Se alguém tinha sede, ela dava de beber; se outro tinha fome, ela o alimentava... E ainda limpava todos os cantos do palácio.
Assim, perdera seu nome. Era chamada apenas..."Dona".



Mas Fada Luz era feliz! Sob seus cuidados estavam quatro fadinhas, seus “anjos de guarda”.
Fada Luz se encantava com o que via: mestres ensinando, pessoas aprendendo, livros... Sempre que tinha um tempinho, lá estava a Fada nas janelas apreciando os ensinamentos com suas fadinhas. E, quanto mais ouvia os mestres, lia os livros, o Palácio parecia ficar menor, apertado...
O palácio estava pequeno ou Fada Luz estaria crescendo?

Um belo dia, Fada Luz resolveu sair dos muros do Palácio Encantado com suas fadinhas.
Alguns diziam:
_ Você ficou louca, Dona?
_ "Formiga quando quer se perder cria asas!!"
Fada Luz sorriu e, nesse momento, percebeu que dois "brotinhos de asas" começavam a surgir de suas costas.


Então, Fada Luz deu mais um passo em direção a saída, outro passo seguiu-se... e mais um para fora do Reino. E o que viu...
_ Horizontes!!! Vamos conhecer os horizontes? – perguntou a Fadinha caçula.
_ Horizontes?! Não existem Horizontes – sorriu a Fadinha mais velha com suas irmãzinhas.
A Fadinha ficou vermelha, enquanto Fada Luz, com doçura, acariciou-lhe os cabelos de fada
_ Como assim, meu bem? Horizontes?
_ Horizontes, ora! Esses que estão por aí... –Tentou explicar a Fadinha Lê, amiga da caçula.


Levantando a vista, Fada Luz observou ao seu redor: várias tonalidades pintavam o céu.

............................

O tempo havia passado ... Agora Fada Luz compreendera que existem sim vários horizontes. Mas é preciso aprender a olhar. Fora por isso que, naquele dia, ela saíra dos muros do Reino.
Dando as mãos às suas Fadinhas, Fada Luz voou em busca de novos horizontes.

Menino, teus sonhos...

Eloiza Marinho



Menino "sem sonho",
Menino sem meta,
Teu jeito de ser
Me preocupa e inquieta.

O que pensas da vida?
O que sentes e espera?
Menino "sem sonho",
Tua vida me alerta!

Escola, pra ti, é coisa penosa:
Horários tão rígidos!
Tarefas e livros!
Cobranças e notas!

Menino "sem sonho",
Já tens um ideal:
Não queres o pesado,
No fardo da cerâmica,
Viver explorado!

Façamos um trato, menino!
Encontra teus sonhos!
Ficando na escola,
te mostro que um dia...
Já tens uma meta.
Já teces teus sonhos,
Já constróis teu futuro.
No banco da escola,
No meio dos livros,
Redescobres a vida
Reescreves o futuro.
(Esse texto nasceu de um diálogo com um adolescente de 15 anos, estudante da rede pública Estadual)


O que um adolescente pensa sobre a escola

"A pessoa que inventou a Escola não tinha o que fazer. A Escola pra mim é uma coisa que eu não posso faltar e se eu faltar meus avós brigam. Se não fosse por isso eu não vinha, Eu sei que a Escola e Boa pra o futuro. Mas não gosto muito de vim mas se e bom eu venho. eu so estou estudando por que que não quero trabalhar em ceramica só."


(Texto escrito por um estudante (15 anos) de 8ª série do Ensino Fundamental, rede pública estadual em 27 de maio de 2008. Foi preservada a escrita do autor. Grifo nosso).